terça-feira, 25 de março de 2014
Granizo
algum dia
eu granizo
atemporal
ainda caio
no quintal
do teu silêncio
vai ser tu
olhando
da janela
eu à espreita:
no vento.
domingo, 23 de março de 2014
Poemas Outonais
- suspiro
espiral
espera
espera
o outono guarda
aguardada fera.
aguardada fera.
- grito
sazonal
cantiga
cantiga
o outono mata
a canção antiga.
a canção antiga.
sábado, 22 de março de 2014
BWV 883
pelo silêncio
fiquei surdo:
não por barulhos
doce estribilho
que já não escuto
ave secreta:
sopra teu canto
entre sussurros;
pelo silêncio
não por barulhos.
quinta-feira, 20 de março de 2014
Um poema de morrer
tem gente pedindo o sangue do justo
no poste
em nome de deus
deus anda meio sumido, silencioso:
quê dirá?
se não há nada a dizer
amanhecemos no espanto;
tem sangue no asfalto
os culpados sorriem:
papéis na bolsa
e salto alto.
segunda-feira, 17 de março de 2014
Ferida
eu afago o tempo
como a um gato
fizemos as pazes:
já não me arranha
minha revolução
não será televisionada
rasgo o roteiro adaptado
da vida pré-produzida
quero comer a realidade
à mesa não importa como
talheres de ossos quebrados
louça de pedra fundida
buscando no seio rocha
nascente esquecida
brotando sangue ou água
fluindo n'aberta ferida
quinta-feira, 13 de março de 2014
Ausência 2
nunca mais
é um de repente
incessante
boia frio
surpreendente
o instante
antes fossem
ditas secas
as palavras
"fica: espera
a hora deserta
e aguarda"
mas ditas inversas
mataram meu conto
a punhaladas...
Ausência
disse: some
tu ausente
é dor minguante
qual o quê -
foi um erro
latejante
a lua dissipada
não é nova
nem amante
fico eu arrebatado -
nunca mais
é muito grande
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