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quinta-feira, 10 de julho de 2014

Explique-me


 onde perdi meus olhos?
 o que é este ronronar no peito?

  - animal desconhecido, calado, que me observa sem palavras nos olhos
  onde perdeu meus olhos?
  passado o porto dum desespero leve estou assim ... navegante em águas incertas.

  uma fita se desenrola, flutua, gesticula
  ouço uma sinfonia lenta que me abate aos poucos (é manhã)
  mas na boca, o azedo silêncio da ausência -
  contra o café doce. 

quisera
 teu pensamento
 entre minhas mãos
 fosse.

quinta-feira, 25 de abril de 2013

Uma carta (outra)


 _ o espelho não me vê mais. quando passou um pássaro pra consolidar a perdição me dei conta de crescer a casca, belo invólucro de homem adormecido mas ah, se você me procurar estou olhando da janela do trem os prédios velhos, tão maiores que eu, em busca de amores fáceis, facas e punhais, dilacerações entre casos de polícia. eu pequeno entre altos prédios marrons de mãos dadas com minha mãe. entre as ruas do susto e do deslumbre, me perdi, olho para o alto vendo passar cicatrizes e sombras, coisas assim menos efêmeras (as sombras dos homens são a mesma sombra) - não posso olhar pra trás nem pra frente - apenas para onde meu infinito começa - acima.

cof cof 

   sem me esquecer de que isso é uma carta sem lição alguma prum destinatário ignorado/ante, mande beijos pra mamãe e diga às mães do brasil todas - um beijo. mando na carta também as cinzas de outra carta que contém um poema de amor sobre cinzas ... de nada vale o amor senão para queimá-lo em cartas (dizem os mestres na arte).

ps.: na segunda estrofe, substitua a palavra constância por um pedaço de carvão.

terça-feira, 23 de abril de 2013

Uma carta


_ tudo bem com você? espero que sim. estou sobrevoando um rio e ao meu lado, uma nesga de nuvem cobre um rosto, estou cansando dessa vida tão excitante! meus porta retratos estão tão vazios e isso me torna tão feliz ...

 (não ... tudo está tão vago - venho soletrando palavras desconhecidas - tomei solidão no café da manhã entende? mas era hora de sair também, e ser homem, e ser mais, e escrever outra história comum entre histórias comuns na história comum. amanhã eu sou outro e você, estranho no espelho, a onda que vaga e bate na proa, lembrança cor melancolia)

 _ ... parabéns por apagar odes e odes e ódios. são coisas que passam batidas. eu mantenho meus porta retratos vazios, mantenha os seus, a morfina da ilusão corre veias e vias de regras. mas sem pensamento demais, sem filosofia, deixe isso pros teóricos ...

  (como ... se todas as caminhadas me levam a mim ... não me elevam a nada ... e a leveza me foge como um pena que dança quadrilha no céu. e se o motor da vida não fossem os porta retratos que precisam de rostos que encaram e movem, encaram e movem ... e se não há fotografia que nos prove nem em memória)

_ ... você será tão feliz assim, como eu também persisto, Deus luta fé destino objetivos caminho. ninguém precisa de poemas. só é preciso Deus luta fé destino caminho e nunca pensar, jamais pensar, em hipótese alguma. beijos, pasárgada. a ursa maior mandou lembranças, risos!

 (queimo outra resposta mas espero que cheguem em segurança as cinzas ... e que elas respondam o que as palavras não contêm - ps.: estou bem)