domingo, 28 de maio de 2017

flotar


 justo agora o
 mesmo tempo
 uma tempestade jupiteriana
 jade
 rocas flotando por el vacio
 sólidas sem que alguém veja
 haja ou pense diante
 das mesmas rochas

 tomo meu café amargo penso
 na coceira me incomoda
 el polvo flota en el aire
 não sei mais o que importa penso
 que nem há solidão onde não há ninguém



quarta-feira, 17 de maio de 2017

Revolução


 não foram-se as cercas;
 estão aí. ainda
 para serem derrubadas
 pelas mãos porosas, ásperas
 que mandadas
 as ergueram

sexta-feira, 21 de abril de 2017

Um poema de amor, sem máscaras



 molhamos o papel
 envolvemos a garrafa.
 freezer até a cerveja quente
 estar fria como a mão rela na nuca acidental:
 seca, quente, minha.

 piquenique na chuva; ai que
 saudade, heineken quente
 a gente atento à garagem
 metendo. risos, vozes na vizinha.

 um eu-lírico frêmito - lirismos
 só de surpresa. tocavam
 campainhas próstatas sinos.

 recito o dialeto particular em leitura mínima.
 depois de tanto tempo ainda me assombra
 a violência dessa ternura não explícita.






domingo, 16 de abril de 2017

Domingo, de novo


 amando o silêncio
 o peito não cala

 passa o cortejo de palmeiras
 calmas. deseja, altas
 vigas do céu incompletas

 vazio de paz, repleta
 de planta bicho e coisa:
 quem ama o silêncio
 é que o peito não cala

 pensando secretas
 coisas terrenas

Oitavo poema em falso


 ipiranga com são luis
 rendez-vous, cruz inversa
 pixos meio apagados e luz
 amarela, eixo de carros
 e o ar que preenche a voz

 postes para se encostar
 nesse esboço de praça
 desse  esboço homem
 em plena confusão, abracei
 você e saímos ´
 pra onde não sei.

 pra lembrança do que resta
 e o ar que preenche a voz

 ipiranga com são luis
 rendez-vous e seus meios
 pixos apagados e refeitos
 toda narrativa só termina pra quem lê
 desse esboço de história
desse esboço de homem
 fica a intenção, abracei você
 e saí

 todavia
 hoje é fixo. no sinal fechado
 não cruzamos.
 o copan estático; no vento
 costumava tremular.








sábado, 15 de abril de 2017

Pessimista


 as ideias que vão revolucionar o mundo
 numa caixa
 fechada a silvertape e camadas
 de isopor e plástico bolha
 vindas de chonqqing e xangai
 nas prateleiras de um mercado
 próximo à sua casa

terça-feira, 4 de abril de 2017

Cecília



 cheirosa de alfazemas
 vovó-mascava; doce
 boldo fresco pra digestiva.
 da horta da casa do quarto
 às cinco (e meia)
 sussurro de rádio, pilha.
 netos sonolentos à soleira
 para escutar coisas
 de brasília.

 madeirense desperta cantando acorda maria bonita.


 morreu de câncer;
 misterioso pâncreas. orava muito e não merecia.
 era humana
 79 anos, natural de Câmara de Lobos
 viúva. viva.