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segunda-feira, 14 de outubro de 2013

Versinhos: de veranico e de verão


 estou meio bossa-jazz
 _ de quando as coisas com gosto de limão.

 e um pardal cantando no meio do mato
 _ a gente sorrindo, sentado (no meio do mato).

 ***

 estou meio trip-hop
 cantando silêncio
 sampleando paisagens
 que vi

 digerindo a fruta amarga
 mastigando a seca
 e plantando a doce

 tirando retratos escondido
 no sonho
 enquanto ele dorme

 plantando um pé de pardal
 ou ouvindo cantar um limão...

sábado, 5 de outubro de 2013

Você vai esquecer




da cápsula do tempo, 2009


você nunca vai saber o que é real. nunca. as pessoas ao seu redor, nunca vai saber se elas são sonhos, se são verdadeiras. você nunca vai saber o que seus amigos do jardim de infância pensavam. todos os momentos do passado, você nunca vai saber se realmente aconteceram. eles passaram rápido demais, como um raio. você nunca vai saber se um raio é real. e se souber, provavelmente vai morrer. nunca ninguém que morreu com um raio em sua cabeça pode contar se foi real.

você nunca vai saber como é nadar no fundo do mar. os peixes do abismo nunca vem à superfície nos contar. nunca vai saber se existem sereias. fadas. anjos.

 aquilo que você ouve a noite, você nunca poderá dizer o que era. se era seu amor correndo, uma criança perdida, uma pessoa que se encontrou.

quando acabar, você não poderá dizer se foi real. talvez você simplesmente se esquecerá como sempre se esquece dos seus sonhos...

sexta-feira, 13 de setembro de 2013

Curta


 _ tó, mãe
 _ o que é isso, meu filho?
 _ é tempo mãe, você falô que tava sem

 mãe e filho se encaram. o filho estende o pote cheio de cascas de caramujos de jardim, as mãos sujas. sobra um silêncio, passa um minuto

 _ pega mãe, que o tempo tá passando
 _ tá filho ... pera ... mamãe tá meio ocupada, deixa no balcão que eu já pego
 _ mãe, o tempo já venceu, ó, cabou
 _ ...
 _ agora só tem caramujinho. deixa. eu pego mais depois, que agora eu tô sem tempo, vou falar com a Nina.
 _ ...
 _ tchau mãe.