domingo, 20 de outubro de 2013
Citando o poetinha
quando eu me pergunto se você existe mesmo,
desisto:
você nem sabe que existe.
estamos um pouco sozinhos, como Vênus
quando amanhece
no entanto, nada entristece: quando volta a madrugada
o céu se enche de estrelas
afinal, amor
é impossível ser feliz sozinho.
quarta-feira, 16 de outubro de 2013
Poema de metrô
te pensei na confluência das horas
as rimas bonitas
esfriaram
meu coração cansado
boceja preguiçoso.
pedrinhas brancas na água cristalina
- foi assim a verdade que me apresentou
a confluência das horas
te penso ainda
no desaguar das noites
não mais com os olhos de cão
mas de um lobo à espreita
à espera
reluzentes olhos noturnos.
te pensei assim
e não de outra forma.
segunda-feira, 14 de outubro de 2013
Esparsa Guarida
âmbar libélula
porque todos os moços são azuis-manhã
e seus olhos, aquarela?
atenta sentinela
não somem estrelas magras, manhã
com a fuga da donzela?
esparsa guarida
porque os ventos trazem folhas, manhãs
duma ilha distante, proibida?
no meu leito de moço estrela folhas
e manhã, fluida...
na noite escondida!
Versinhos: de veranico e de verão
estou meio bossa-jazz
_ de quando as coisas com gosto de limão.
e um pardal cantando no meio do mato
_ a gente sorrindo, sentado (no meio do mato).
***
estou meio trip-hop
cantando silêncio
sampleando paisagens
que vi
digerindo a fruta amarga
mastigando a seca
e plantando a doce
tirando retratos escondido
no sonho
enquanto ele dorme
plantando um pé de pardal
ou ouvindo cantar um limão...
domingo, 13 de outubro de 2013
Oração
que a fome do corpo
não mate o senso do coração
que a dor do corpo
não mate a luz da razão
que o prazer do corpo
não mate a força, mas seja a força
que não cegue, não desvie
ilumine, incendeie
que sejamos ternos
delicados sem fraqueza
amém
sábado, 12 de outubro de 2013
Primavera
eis a violência do vento seco
cortando um campo à beira do Sol
onde não há pais nem mães
nem sonhares, ou incômodos - nem você e o relógio
é um lugar de se estar
mergulhado em mato e céu
sem precisar explicar a vida,
vive
sem quebrar em mil
fragmenta
sem gritar alto de noite
rebenta
nunca se está completamente só:
senão só, completa a mente.
quarta-feira, 9 de outubro de 2013
Ladybug
na esquina da livraria
confesso como as mãos abertas
aquela bonita
aquela lotada
aquela do café
da espera infinita
na esquina da livraria
irremediável como vaso trincado
aquela do abraço
aquela do sorriso
aquela sempre
calçada de sonhos íntimos
aquela do perfume
aquela da avenida
aquela onde deixa levar embora
o irreal - e ficamos com a vida
uma joaninha dúvida
subir garganta adentro
pelos meandros secos
da declamada poesia.
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