impropério musical.
terça-feira, 31 de janeiro de 2012
A Palavra e o Vento
É bem vazio aqui.
O vento bate nas colunas de aço estreitas e altas, quase livre - sim é um tanto frio agora ao entardecer. Há o silêncio também, um garoto joga basquete sozinho e é quase triste assistir, como a cena de um drama de enredo desconhecido passando. Ao que me parece, foi me dada a oportunidade de voltar para reconstruir, vou sentindo e escrevendo nesse momento como eu o faria à três anos atrás, e de amadurecer de uma forma diferente.
Na verdade parou de ventar, deixo por aqui a palavra.
Idéias Sobrepostas
As idéias vão se sobrepondo e nascendo e morrendo umas sobre as outras, as que ficam por debaixo acabam esquecidas e escrevo aquilo que sobrou da batalha e não aquilo que queria realmente.
O Que Faltava
Faltava o desejo de ser obstinado, de desabrochar aquela curiosidade de mundo em fome de mundo que se pronunciava e não percebia.
segunda-feira, 30 de janeiro de 2012
Sobre a Inocência
Há um certo momento entre a infância e a adolescência que há uma perda de inocência muito grande - e quando digo inocência não falo de inocência sexual, de lascívia, por que a lascívia pode ser inocente sim. É a forma como vemos o mundo que se deteriora e se reconstrói muito menos doce e muito mais dura, tal como defesa ou simples mudança. Alguns dizem amadurecimento mas é possível ser imaturo e não possuir mais esta inocência.
É algo com a malícia - ou ainda maldade, no sentido que maldade é menos maleável que malícia. É maldade pois é quase cega, é por ser, não tem um fim além duma injustificável defesa. É dita natural por ser comum mas não porque deve acontecer; simplesmente acontece com quase todo mundo. O ponto é que pode não acontecer, e isso é de um perigo intenso pois essa inocência fica exposta ao ambiente que não a reconhece mais, não a entende e a vê de forma distorcida. Mais perigoso é quem a possuiu não a reconhecer e então acontece o grande perigo que é a inocência não se transformar - simplesmente azedar e se tornar amargura, ou tristeza grande e quente. Há também a possibilidade de ser simplesmente inocência caso quem a possui trate bem dela, e então só há de aprender a conviver com essa forma ainda fresca de ver o mundo com cores vivas - não que seja a forma correta mas é especial. É a constante batalha com o mundo exterior que não derrama sangue mas constrói caminhos excêntricos. Há de ser especial creio eu.
Sobre Perdoar
Foi me tomando aquele impulso de ser imperativo - e não perdoar de forma alguma, pois quanto mais se perdoa mais nos tornamos não-divinos: o perdão não é divino. Ou pelo menos não é natural, mas a natureza não aceita perdão aos erros nem perdoa quem os comete - logo se você considera a natureza divina, não pode considerar o perdão também pois perdoar é essencialmente humano.
Por mais audacioso que isso pareça, digo sim que Deus aprendeu a perdoar com os homens, pois se perdoasse desde sempre teria perdoado Adão e Eva - mas longe de afirmar sua existência. É talvez mais um ponto desta ideia - se Deus fosse verdade, não perdoaria, Deus é artificial pois perdoa e perdoar é humano e não natural.
Não quero dizer com isso, porém, que o não-perdoar é humano e por isso bom; é afirmar que perdoar é reafirmar a condição humana, acreditar no engrandecimento e na própria capacidade de remar contra o natural em direção ao utópico perfeito artificial e humano ainda - e que também não perdoar é natural e pode sim ser o caminho de alguma forma. Mas como tudo que é natural não perdoar traz consequência e isso deve ser pensado antes da atitude ser tomada.
Mas como eu dizia - foi me tomando o impulso de ser imperativo.
domingo, 22 de janeiro de 2012
O Conto do Desejo Secreto
Assim, contando, parece cômico para alguém de coração medíocre, mas é verdadeiro tudo aquilo que poderia ter sido sentido seja qual for a maneira pensada. Seu maior desejo - não da forma como possa parecer - era ter nascido uma garota; norueguesa - não se explica essa parte a não ser que você nunca tenha vista o azul de um fiorde; e de beleza mediana - por humildade apenas. Ao fazer dezesseis anos, se apaixonaria por um homem mais velho que lembrasse um homem do mar, fosse ou não. E ela seria tão feliz em sua ingenuidade que não compreenderia o mundo e vice versa, e, a felicidade seria possível pois ela não tentaria compreender, apenas olharia e viveria.
Seu nome seria: Kristaen.
sábado, 31 de dezembro de 2011
Poema Para - I
Série de poemas aos amigos, presentes ou não.
(Sem título)
para Alice Novaes
(Na história de Alice
não haviam coelhos brancos)
Suas raízes são largas
sulcam o chão
profundas e sólidas
fincadas na terra.
Mas, quem diria
apesar de tanta solidez
sua copa ruma intrépida
em direção ao céu.
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